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Redes loves sociais

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Em menos de dez minutos e você já está lá na maior das intimidades com a criatura. Tudo aquilo que levavam dias na época da vovó e do papai, até meses com os flertes da vida real, agora se tornou coisa de segundos. Os casos mais difíceis levam minutos. É o amor nos tempos das redes sociais. Tudo muito rápido, espécie de emoções baratas, miojo sentimental, onde basta ferver por 3 minutos, fodeu!

Com essas renovações sentimentais de conhecimentos apaixoniticos, as coisas tornaram se mais próximas, sem nem precisar pegar mais na mão. Os mais avexados já vão direto pra moita mais platônica antes de chegarem na cama. Nem é mais tão necessário cantar o rei Roberto Carlos com aqueles saudosos questionamentos: Como vai você ?/ Eu preciso saber da sua vida/ Peça a alguém pra me contar sobre o seu dia/ Anoiteceu e eu preciso só saber/ Como vai você?

E não pense que isso é coisa só desses moços ou quilometrossexuais. Minha amiga J.M. por exemplo, tem dois amantes virtualmente “fixos”, além do namorado de carne, osso e chatice, como ela mesma fala no desespero de não conseguir administrar todos no mesmo dia. “Vou deixar um deles, o cara só me quer quando ele ta afim, se não deu assistência, abriu pra concorrência”. Observo as conversas atentamente e só posso concluir que todos são donzelos, meu Deus.

Lembro do tempo que via minha prima sentava todas as tarde no final do mês esperando aquele bravo herói de amarelo, que vezes vinha de bike e outras a pé porque o fifo tava ficando dolorido, devido o acolchoamento da bicicleta está saindo. Aquilo na certa representava boas notícias ou noites regada por lágrimas.

Amor não é mais tão prosa e sexo poesia, amor é tecnologia... No principio era só aquele bina, que foi substituído por aquele telefonema anônimo mudo. Ofegante a criatura do outro lado ligava ofegante, só pra ouvir a voz do obscuro desejo do outro lado da linha. Lembrei agora da comedia que foi receber o telefonema e ouvir a música do rei: “Nos lençóis macios amantes se dão./ Travesseiros soltos, roupas pelo chão./ Braços que se abraçam,/ Bocas que murmuram/ Palavras de amor enquanto se procuram”.

É o famoso e clássico telefonema dos desencorajados do amor, que está praticamente enterrado com os iden-tificadores de chamadas. O fim de muitas desculpas canalhas. Tipo aquele homem que tomava chá de sumiço e voltava, batom até no lenço d´alma.

O amor nos tempos tecno modernos das redes sociais. Agora o ques-tionamento é simples: como transformar uma tara platônica em uma trepada homérica? Salve Jorge!

* Victor Augusto é jornalista.

 
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