Compromisso

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Uma laranja podre não é motivo suficiente para se derrubar uma linda laranjeira. Muitas pessoas acham o dito popular bonito, mas não o seguem na prática. Caso contrário, elas não seriam tão ‘pé-no-saco’ e pejorativas na hora de opinar sobre determinados serviços públicos.

Tomemos um episódio que ocorreu recentemente com uma amiga minha (é, eu sei, falar de algo que aconteceu com amigos e, não com você, parece irreal, mas esta é verdade). Em um belo domingo, ela começou a se sentir indisposta, ficou meio fraca, com muita dor de cabeça e febril. Suspeitando que podia ser dengue - já que nesta época do ano qualquer resfriado parece com dengue -, ela preferiu não se ‘medicar’ e foi à UPA do 2º Distrito se consultar.

Chegando lá, minha amiga esperou um pouco e, como estava com mais de 39ºC de febre, ela foi logo atendida. Um ponto para o serviço público de Saúde do Acre pela triagem no atendimento.

A seguir, o médico indicou que poderia ser dengue, daí perguntou se ela tinha alergia a algum remédio. Ela disse ‘não’. Dois pontos à Saúde Pública acreana pela preocupação do médico.
Na sequência, minha amiga foi realizar os exames para verificar se era ou não dengue. Após fazê-los, ela foi tomar o ‘remédio milagroso’ para controlar a febre e aliviar as dores da dengue: a dipirona. Aí que a coisa se complicou. Minha amiga começou a inchar e passar mal. Sem saber, ela é alérgica à dipirona. Ao avisar ao médico, ele a medicou com anti-alérgicos. Três pontos à Saúde Pública do Acre pela agilidade do médico e por dispor dos remédios anti-alérgicos.

Ela pegou atestado e foi avisada para ficar em repouso e retornar em 2 dias. Na terça-feira, na sua volta, ainda meio abatida pela enfermidade, ela foi atendida rapidamente e explicou o seu caso a outro médico da UPA que atendia naquele dia. Só que desta vez o médico mal olhou pra ela, escutou a história dela sem ouvir direito. Depois, de forma ríspida, ele disse que ia passar um remédio que ia fazê-la se sentir melhor. Ele entregou a receita e disse para ela pegar o remédio na própria UPA. No caminho, ela leu o remédio receitado pelo doutor: ‘DIPIRONA’. Ou seja, o mesmo remédio que ela descobrira ser alérgica. Três pontos a menos para a Saúde Pública do Acre.

Conclusão: minha amiga foi ‘bem’ atendida pelo sistema público de Saúde até encontrar um péssimo profissional, que estragou todo o trabalho ante-rior. Mas é este mau profissional que a população tem de ajudar o sistema público a retirar de seu quadro. Não se pode condenar uma rede de serviço inteiro por causa de uma pessoa que executa sua parte de modo ruim. Caso contrário, só o que a população vai sempre falar é ‘a Saúde não presta’, mas fato é que ninguém faz nada para ajudar os gestores públicos a identificarem quem é que faz ‘esta Saúde não prestar’.

 *  Tiago Martinello é jornalista. E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
      


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