Prevenir ainda é o melhor remédio

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Basta olhar para si ou para o lado. Se você já não viveu o problema, certamente conhece ou conheceu alguém, um amor, um parente, um amigo, um colega de trabalho, que enfrente ou tenha enfrentado a luta contra o câncer.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil terá, este ano, 519 mil novos casos da doença. São 59 novos casos por hora e 1.416 por dia! Em 2010, a estimativa era de 489 mil casos. Os números e conjecturas são assustadores, mas, de certo, as expe-riências de quem enfrenta este mal são ainda mais difíceis e chocantes.

Impossível falar sobre o assunto e não citar um dos casos mais emblemáticos da nossa história recente: o do ex-vice-presidente José Alencar, que enfrentou o câncer por mais de 10 anos, com uma força e uma coragem quase inacreditá-veis. Foi exemplo de fé, confiança e até mesmo alegria para milhões de brasileiros que passavam pela mesma situação.

Nesse último ano para cá, o país se uniu novamente em comoção com a guerra do ator Reynaldo Gianecchini e do ex-presidente Lula para vencer a doença.

Por muito tempo, tive a “sorte” de conhecer as dificuldades e impactos impostos pelo câncer somente de longe, pela TV, acompanhando os dramas mais famosos dessas e outras figuras públicas. Hoje, infelizmente, não é mais assim. A doença se mostra cada vez mais próxima do meu dia a dia, ao atingir familiares e amigos queridos.

Enfim, histórias de tragédia ou superação, longe ou perto de nós, são muitas. Fazem-nos sofrer juntos, chorar, rezar, mas acho que ainda, poucas vezes, refletir seriamente sobre a questão. Por que, afinal, o câncer se torna cada vez mais comum e mais próximo da vida de todos nós? E, o principal: o que podemos fazer para driblar as estatísticas?

Li, há uns meses, uma matéria com o oncologista Paulo Hoff, conhecido por acompanhar casos de famosos, como José Alencar, Dilma Rousseff e Lula. Ele falava sobre a importância dos bons hábitos de vida e dos cuidados com a saúde desde cedo para tentar fugir da doença.

“Quando o tumor é descoberto e se desenvolve rapidamente é só o final do processo, a ‘ponta do iceberg’. Porque o dano começou lá atrás, na juventude, quando o DNA das células começou a ser continuamente agredido”, alertou Hoff.
Ou seja: investir em pesquisas para cura e garantir o acesso da população a tratamentos modernos e de qualidade é, sem dúvida, imprescindível. Mas, convenhamos: mais barato, mais eficaz e, o melhor, indolor, é avançar em ações de educação (principalmente entre crianças e adolescentes), de prevenção e de diagnóstico precoce para inverter o “gráfico” da doença. Com certeza, é investimento com maior impacto sobre o futuro das próximas gerações.

Maíra Martinello é jornalista
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