Um bom prefeito

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Matéria divulgaa,  na semana  passada, no suplemento Acre Economia, destacou a preocu-pante realidade  vivenciada  nas administrações  municipais do Estado. Dos 22 prefeitos do Acre, somente quatro encerrarão o mandato, ao final do próximo mês de dezembro, com as contas em dia. Ou seja: adimplentes, com fornecedores pagos ou obras inacabadas, mas com dinheiro previsto no orçamento do ano que vem.
A informação,quando apresentada em forma de números, impressiona, mas não é novidade para quem acompanha as notícias políticas (e policiais) da imprensa local. Frequentemente, são divulgados casos de prefeitos envolvidos em escândalos de desvio de verba pública, improbidade administrativa, denúncias de compras de votos e, até mesmo, assassinato. A crise nas gestões dos municípios acreanos é fato para ser estudado por economistas, cientistas políticos e, claro, repensado com espírito crítico por toda sociedade.

Mas, dentre tantas maçãs podres na fruteira, é possível, felizmente, colher as exceções. E, quando isso acontece, vale a pena, sim, elogiar, exaltar e alardear aos quatro cantos o quanto ainda é viável fazer política com seriedade, honestidade e competência. De algum modo, é uma forma de nos manter confiantes na possibilidade de construção de um futuro melhor.

Enfim, nem todos são iguais... (Ufa!) E, entre estes, merece o nosso reconhecimento o bom prefeito de Rio Branco, Raimundo Angelim. “Bom” nas definições mais precisas da palavra: “De agradável qualidade”; “Que cumpre rigorosamente os seus deveres”; “Conforme à Justiça, à virtude, ao dever”; “Digno de crédito, garantido, seguro”. “Estrito, exato, rigoroso”. Todas as significações apontadas no dicionário podem ser aplicadas a ele. Coisa rara de se ver nos dias de hoje, especialmente quando falamos em política ou, mais ainda, em políticos.

Às vésperas de entregar o posto ao colega de partido Marcus Alexandre, Angelim deixa uma boa história para contar. Sairá da prefeitura com uma coleção de premiações de destaque nacional. Recentemente, foi apontado, em pesquisa do Ibope, como o prefeito mais bem avaliado de todo o país. Mais de 60% da população da cidade considera a administração dele ótima ou boa.
Mas, isso é que o menos importa. Porque os principais efeitos do comprometimento do bom gestor, nós podemos avaliar no cotidiano da cidade. Muito longe do “perfeito” e o do ideal, é verdade, mas, dentro do “realizável” e do plausível, quando sabemos dos poucos recursos disponíveis e recordamos a situação de sucateamento do órgão quando entregue a ele.

Após oito anos à frente da prefeitura da Capital, Raimundo Angelim deixará o cargo sem máculas e envolvimento em escândalos em sua vida pública ou pessoal. Discreto, sensato, técnico, soube, como poucos de sua geração, apresentar bons resultados sem, no entanto, personificar os feitos, centralizar o poder e rebaixar ou perseguir os opositores.

Numa sociedade narcisista, acostumada a supervalorizar as vaidades e conquistas individuais, Angelim soube portar-se como “coadjuvante” na construção de um projeto coletivo, sem perder a autenticidade e a firmeza necessárias a um bom líder.

Deixa o desafio de continuidade da boa gestão ao seu sucessor e, sem dúvida, é digno de nossa gratidão e respeito.


Maíra Martinello é jornalista.
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