Assisto num telejornal nacional a matéria sobre um engenheiro que teve sua casa assaltada, durante o período em que fazia uma viagem. Roubaram todos os eletrônicos e objetos de valor da casa dele. No retorno, além dos prejuízos e da dor de cabeça com o roubo, foi surpreendido com um recadinho irônico (e ousado) em sua página de recados de uma rede social: “a próxima vez que você for viajar, avisa”.
Lembrei, na hora, de uma cena engraçada que vivi com minha avó, de 87 anos. Estava eu de férias, na casa dela, postando fotos da viagem no meu facebook. Ela chegou e perguntou o que eu estava fazendo. Tentei explicar, resumidamente, como funcionava aquilo ali. Muito provavelmente, ela não entendeu. Mas, de imediato, perguntou: “Qualquer pessoa te vê nisso aí??”. Respondi que sim. Ela me olhou, descon-fiada, e disse, naquele tom solene de “quem avisa amigo é”: “Minha filha, saia daí... Cuidado com o olho gordo!”. Foi impossível não rir. Mas, superstições à parte, conselho de avó nunca se deve jogar fora...
Na mídia, os alertas sobre os perigos da superexposição nas redes sociais são frequentes e já foram temas de muitas outras reportagens. Mas, para a maioria (e nisso eu me incluo), os casos parecem soar sempre um pouco exagerados... Ou, talvez, os alertas não sejam tão eficientes porque vamos incluindo no hall daqueles problemas e histórias que “só acontecem com os outros”. E é aí que mora o perigo.
Sou adepta das redes sociais. Acho válido para minha profissão e, pessoalmente, adoro me manter conectada aos novos e velhos amigos, especialmente os que moram em outros Estados e países. Gosto de gente, gosto de interação e acho bacana um espaço no qual as pessoas têm a oportunidade de expressar suas opiniões, de debater, de se “rever” ou de se conhecer, mesmo que dentro de um universo e de uma linguagem específicos e diferentes da “vida real”.
É óbvio que, ao participar de uma rede social, nós, naturalmente, colocamo-nos expostos. Expomos um pouco (ou muito) de nossos hábitos, de nossa família, amigos, interesses. E, na maioria das vezes, fazemos isso sem muita preocupação de como determinadas informações, fotos ou vídeos poderão ser utilizados por terceiros ou, até mesmo, por criminosos.
Por narcisismo ou inocência, acabamos transformando aquele espaço num palco de exposição da nossa própria vida e, o que é pior, também da vida alheia. Confundimos o íntimo com o social e tornamos público o que, na maioria das vezes, deveria continuar privado.
Que Deus nos livre de cair nas paranóias e neuroses daqueles que superestimam os problemas e cismam em exaltar sempre o pior de cada situação. Mas, sim, é preciso ter cautela. Como bem diz uma velha amiga: “em terras de muros baixos, cada um que cuide bem das suas ovelhas”.
Maíra Martinello é jornalista. E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

















































