Uma das coisas mais temerosas para o ser humano chama-se medo. Medo de tomar atitudes, de quebrar paradigmas e até de ser puro, como apregoavam Guatanamo Sidarta, o Buda e Jesus Cristo. Outro assunto que também será tema deste ensaio é a questão ideo-lógica. Delimitando mais ainda, estou falando de fazer opção política, de lutar pelos desvalidos, abdicando do egoísmo e da vaidade que podem impulsionar as tentações de nos darmos bem. E isso, para mim, são elementos definidores de caráter.
O PT e o PSDB eram o que restava das nossas consciências. Foram os últimos remanescentes de algo que pode assim ser definido: a política com ideário para avançar no social. Essas legendas representaram, nas últimas décadas, o que a população brasileira poderia ter de melhor. E eles fizeram bem para o Brasil. Mas, no mesmo diapasão, não cativaram algo fundamental na política: serem mantene-dores de utopias. Pior, não deixaram o legado da práxis. Só restou um discurso moralista e pernóstico. Além de não conseguirem se diferenciar das demais legendas, nivelaram-se por baixo na política partidária.
Que fazer? Perguntaria Lênin. É o fim da história como sentenciou o nipo-americano Francis Fukuyama! O que podemos fazer para ser mantenedores de alguma utopia? Sei lá! Talvez seja o humanismo. Este pressupõe se importar com o semelhante. Isso é ideologia. Isso é fazer opção. Isso é algo definidor de caráter.
As palavras de ordem progressistas se transformaram em frases feitas, meros clichês sem conteúdo nenhum semântico. Mas o leitor deve estar se perguntando: e o PSTU, o P-SOL e outras siglas como programas doutrinários? Na minha modesta opinião, acho que eles não têm e nem terão aceitação na sociedade. São partidos anacrônicos, que não têm capacidade de se reinventarem.
Nas eleições do ano que vem é provável que o PT e PSDB voltem a se digladiarem, polarizando a hegemonia da política acreana mais uma vez e, naturalmente, desqualificando-a ainda mais. Não gosto de nem um dos dois e, muito menos, dos partidos satélites que neles orbitam. Mas eu vou ao sufrágio. Sou um cidadão que jamais anularia meu voto.
Como jornalista, não temo a nenhum de seus membros. Vou estar sempre questionando, afinal, poucos colegas fazem isso. Acho que petistas e tucanos deveriam caminhar juntos há muitos anos. Não existem diferenças ideológicas, programáticas e pragmáticas. O que existe é a disputa do poder pelo poder. Rio-branquenses e acreanos, digam “não” a esses dois partidos!
Jorge Natal é jornalista. Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

















































