‘Injustiça’

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O gestor público honesto tem que estar preparado para ser injustiçado. Faz parte do rito. Não adianta melindres, beicinhos, depressão. A sensação de ter feito muito, mas não ter feito tudo acompanha o administrador compro-missado. E o torna uma vítima natural de críticas pontuais. O prefeito de Rio Branco, Raimundo Angelim, faz parte desse grupo.

Após 8 anos à frente da administração da capital do Acre, não há nada que atente contra a sua honestidade. Sai incólume. Sem nenhum arranhão. Até que alguém apresente o contrário, Angelim é honesto. Ao contrário de boa parte da safra 2008/2012.

No entanto, após dois mandatos, a administração Angelim não conseguiu ser inventiva em um ponto: o transporte coletivo. No máximo, esse setor entra para o time daquelas ações de governo que justificam o clichê: “Ah! Mas, antes era muito pior!”

Certamente, era. Mas, essa defesa não responde às críticas elementares que se ouve a todo instante nas “paradas” (pontos de ônibus), nos coletivos sempre lotados e no desrespeitoso Terminal Urbano. E o pior é o seguinte: o assunto vai subir nos palanques como nunca antes.

É um tema fácil. Está na reclamação de todos. Obedece à seguinte equação: quem usa, reclama. Com uma densidade demográfica calculada pelo IBGE em 38,03 habitantes por quilômetro quadrado, os 152 ônibus da frota rio-branquense nem por milagre conseguirão dar conta da demanda.

É bom observar também que o riobranquanse está longe de relacionar transporte coletivo e qualidade no trânsito com cidadania. Pelo óbvio: a maioria é mal educada. Não é uma exclusividade daqui, é bem verdade. Mas, a falta de educação nossa de cada dia espanta. Quinze minutos no Terminal Urbano e não há quem não se convença disso.

E ainda há um duro golpe na gestão Angelim nesse setor: o transporte coletivo é algo muito próprio da gestão municipal. O Governo do Estado tem poucos instrumentos de interferência para ajudar, como faz em várias outras áreas.

A creche perto de casa; a escola infantil do filho mais velho; o carro do lixo passando regularmente ou o posto de saúde funcionando minimamente bem, para o eleitor-usuário-cidadão, passam a ser figurativos, quando entra em um ônibus lotado, após ficar bom tempo ao sol em uma “parada” sofrível.

É preciso admitir: foi uma área de governo que não acompanhou as necessidades de uma cidade em transformação. Recentemente, uma mega operação  policial recolheu dezenas de motos-taxistas clandestinos e táxis-lotação. Eles concretizam a incapacidade da gestão pública, ao menos momentaneamente, de resolver o problema.

Para um lugar em constantes mudanças, as soluções devem ser emanci-padoras. Nem os futuros mini-terminais e nem os micro-ônibus vão resolver a situação no afogadilho pré-eleição. O problema é estruturante e não foi dado a ele o tratamento de mesma natureza em oito anos. Essa “injustiça” o prefeito Angelim deve ter capacidade de ouvir, aprender e refletir. No silêncio de quem lutou o bom combate, certamente o fará.

*Itaan Arruda é jornalista. E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.


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