Os doutores petis-tas estão sendo capazes de grandes feitos. Um deles é o de surpreender o eleitor. E olha que surpreender eleitor é empresa de grande monta em tempos de PSD, boicote à Rede Sustentabilidade e Lula dizendo que “você pode fazer jogo político, pode fazer aliança política, mas não precisa estabelecer uma aliança promíscua para fazer política”.
O extraordinário da semana nessa arena foi o anúncio feito pela presidente Dilma do novo integrante de sua equipe: o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos que assume a Secretaria Nacional da Micro e Pequena Empresa, um cargo gestado desde março, feito sob medida para Afif pelas lentes do Palácio do Planalto, focadas em 2014. Será que até o fim desta semana alguma coisa supera isso?
A presença de um liberal convicto em equipe petista há tempos não surpreende. O inusitado, de fato, é que Domingos vai ser ministro de Dilma e, ao que tudo indica, também vice-governador do estado de São Paulo. Tudo junto e misturado.
Desde já o artigo 37 inciso XVI da Constituição Federal pode ser rasgado. Lá diz textualmente: “É vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI”. O inciso XI trata de questões salariais.
A Constituição do Estado de São Paulo também informa que, caso se ausente por mais de 15 dias, o vice-governador perde o cargo. Exceções: se for autorizado pela Assembleia Legislativa ou em caso de doença.
Além do desrespeito à Constituição, o PT deu um golpe de mestre. Aproveitou as arengas que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, tem com o seu vice e, feito um Yago tupiniquim, alimentou a discórdia. Pelo que se lê, o governador tucano já estava bicudo desde a ida de Domingos ao PSD.
O constrangimento de Alckmin deve estar sem referências. Aliás, o que restar do tucanato após essa articulação petista... Se sobrar alguma coisa, deve ser acomodado aqui em Porto Acre, o reduto tucano mais fiel do país.
Ao contrário do que possa parecer, a presidente Dilma não demonstra ter tanto apreço assim pela micro e pequena empresa. A secretaria nacional terá status de ministério. Mas, apenas a criação da estrutura não reflete prioridade da gestão.
A forma como o responsável assume o cargo mostra-se evidentemente eleitoreira. Não guarda relação com a necessidade de haver política pública para o setor: guarda relação com votos. O bordão de Afif Domingos na eleição de 89 “Juntos Chegaremos Lá” poderia ser repetido hoje com o mesmo sentido, mas o foco do seu olhar e das suas mãos esta-riam voltados para outras estrelas.
PS: O despreparo dos organizadores do evento Meca Brasil exige posicionamento firme por parte da Vara da Infância e Juventude e do Ministério Público. Do contrário, será uma omissão criminosa.
*Itaan Arruda é jornalista da equipe de A GAZETA


















































