O ‘prejú’ é dos alunos!

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Mais de dois meses em greve. Esse é o tempo em que os professores das universidades federais espalhadas por todo o Brasil estão parados, a espera de uma proposta que, de fato, atenda às reivindicações da categoria. No meio desse impasse, estão eles, sem nenhum poder de decisão, mas sofrendo as consequências: os estudantes. Só na federal do Acre, são mais de 6 mil acadêmicos prejudicados.

A cena se repete. Eu mesma já vi esse filme. Já fui aluna da Ufac e sei bem o que é amargar os prejuízos de uma greve tão longa. Mesmo com promessas de reposição de aulas, não há como recuperar de verdade o tempo perdido com a greve. Perde-se o gás, perde-se o ânimo, conteúdos são aplicados às pressas, é um efeito cascata, atrasa tudo! Sem contar o risco, inevitável, de não se formar dentro do prazo normal.  

Claro, que esses prejuízos poderiam ser evitados se houvesse um comprometimento maior por parte do governo. Ao que parece, falta uma dose de força de vontade em resolver a situação.

A causa dos professores é justa e tem o apoio total dos estudantes, os maiores prejudicados. Infelizmente, ainda hoje, é preciso usar o artifício da greve para lutar por melhores condições. Com  um salário de fazer vergonha, os professores querem melhorias não só salariais, mas investimentos em infraestrutura.

O que mais revolta é ver que a situação chegou ao extremo. Apenas quando a greve já atingia 56 das 59 universidades é que o governo apresentou a sua proposta de reestruturação da carreira e aumento salarial e, mesmo assim, considerada insatisfatória pelos docentes. Antes disso, duas reuniões foram adiadas. Hoje, todas, isso mesmo leitor, todas as universidades públicas do país estão paradas.

Que futuro pode-se esperar de um país que trata um assunto como esse com intransigência, que não investe suficientemente em seus professores e não valoriza a educação?
Como diria Paulo Freire “não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.”

O mínimo que se espera agora é que haja um entendimento entre governo e grevistas e  que o movimento chegue ao fim, o quanto antes! Os estudantes não podem sair mais lesados do que já estão. Essa greve tem que acabar!!


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