Cidade do Povo, uma obra do tamanho de um sonho

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José Bernardo, o Panelada, é uma liderança comunitária que mora no Jardim Primavera. É, certamente, uma das pessoas que mais bem conhece os bairros e a periferia de Rio Branco. Também é conhecido no segmento pela forma simples de abordar coisas sérias. Exerce sua veia cômico-poética alimentando um blog (paneladarb.blogspot.com.br).

Com o jeito humilde, Panelada foi uma dos mais aplaudidos no ato que marcou o início das obras da Cidade do Povo, empreendimento que construirá 10.518 casas até o fim de 2014. Com a voz rouca pelos anos de tabagismo, Panelada não falou difícil - proferiu palavras singelas, mas de uma profundidade impressionante.

Foi dele a frase: “O governo do Estado do Acre começa a dar a alforria aos cativos do aluguel”. Provavelmente, o líder comunitário exagerou na dose - afinal, sempre haverá pessoas dependendo de aluguel, e a questão habitacional permanecerá na pauta por muito tempo.

Mas Panelada foi contaminado pela alegria de ver nascer uma cidade que, sem sombra de dúvida, será um passo largo para zerar o déficit de habitação no Estado, assegurando um lar digno a milhares de acreanos e acreanas.

Tanta euforia de Panelada tem explicação: as pessoas que enfrentaram o caminho coberto por lama, num dia em que o céu nublado prenunciava chuva, tiveram o privilégio de participar de um ato histórico.

Quem foi ao lançamento das obras presenciou a lavratura da certidão de nascimento de uma nova cidade. Uma Cidade do Povo pensada como a semeadura de um marco social, de esperança e cidadania para pessoas que sonham com a casa própria.

Tive o privilégio de ver o projeto da Cidade do Povo nascer. Foi gerado a partir da determinação, da vontade e do compromisso do governador Tião Viana, combinados com a sensibilidade do Governo Federal e a confiança da iniciativa privada.

Foram muitas reuniões, idas a Brasília e entraves ao longo do caminho para que o projeto saísse do papel para a realidade.

Mas o respeito e a credibilidade do governador e do Acre perante o Governo Federal foram fundamentais para captar os recursos e sensibilizar as autoridades da capital da República, em particular à presidenta Dilma Rousseff, sobre a viabilidade de executar um projeto inovador e pioneiro dentro do programa Minha Casa, Minha Vida.

Para a construção das mais de 10 mil moradias, será investido R$ 1,1 bilhão. E não se consegue um volume de recursos desse tamanho sem respeito e credibilidade.

O Acre, desde 1999, quando Jorge Viana assumiu o governo, fez a transformação política. É hora de fazer a transformação econômica, com geração de renda e oportunidades. Esse é o desafio imposto por um novo tempo. Pelo século 21.

É com esse espírito, e ciente da necessidade de transformar a economia, gerar renda e oportunidades, que o governo investe em setores básicos. A Cidade do Povo tem previsão para gerar 15 mil empregos diretos. Somente no setor de marcenaria serão produzidas mais de 80 mil portas e janelas. É muita coisa!

Mas a Cidade do Povo não é apenas tijolo, cimento, areias, brita e demais insumos. Construir casa é fácil. De 2010 a 2012, foram 7.514 entregues pelo Governo do Acre.
Na essência, a Cidade do Povo revela o sentimento de um governador e de um governo que têm compromisso com a sustentabilidade ambiental e social. Que não aposta na construção de imóveis apenas como abrigo, mas como recanto de cidadão com as mais diversas opções de cidadania, com escolas, lazer, segurança, saúde e perspectivas de crescimento pessoal e familiar.

A Cidade do Povo, como bem disse o governador Tião Viana, “é a edificação do sonho de um Estado inteiro, de uma sociedade do tamanho daquilo que sonha”.
É o resultado da união do governo e da sociedade com a iniciativa privada, por meio de 13 empresas. É algo que demonstra a importância que instituições financeiras do gabarito do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal têm com o país e com o Estado.

O Acre e os acreanos sempre sonharam grande, por isso realizaram muito. Ainda somos eternos sonhadores, o que nos motiva a ousar permanentemente.
Enquanto caminhava no meio da lama e dos descampados, sonhava com a cidade que vai nascer. Lembrei a odisseia que foi a construção de Brasília. Lembrei que somente os revolucionários e os grandes homens conseguem deixar o legado para a história.

Lembrei o décimo sexto presidente americano, Abraham Lincoln, que conduziu seu país para a paz com prudência e firmeza em meio a uma guerra civil que ceifou mais de 600 mil vidas. Lincoln teria dito: “Não tenho outra ambição tão forte quanto a de ser estimado por meus próximos, tornando-me digno de sua estima. Até onde serei capaz de realizar essa ambição ainda está por se revelar”.

Ser estimado por seu próximo é o que todo governante quer. Mas, para que isso ocorra, é necessário trilhar o caminho do trabalho, da humildade e do contato permanente com o povo. É a simplicidade, na prática, que os torna grandes.

“A política é a face do coração”. A frase eu ouvi de Tião Via-na. Essa face foi mostrada sem qualquer maquiagem no início da obras da Cidade do Povo. Como diria o escritor colombiano Gabriel García Marquez, é bom demais viver para contar.

O pior é que ainda existe uma oposição iracunda que não enxerga o óbvio: o povo não aceita na sua casa aqueles que apostam na melancolia e no caos para atingir seus objetivos.

Esse tipo de gente esquece que é pela posteridade que se ganha a batalha do tempo. São lembrados por seus feitos aqueles que se colocam a serviço das ideias que têm mais chance de triunfar.

A Cidade do Povo é um feito sem igual em nossa história, e aqueles que a conceberam triunfarão e serão lembrados por essa e pelas gerações futuras.

*Leonildo Rosas é secretário de Estado de Comunicação

 

Dendê: o que estamos esperando para cultivá-lo em larga escala?

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Em meados de 2010 o parlamento da Comunidade Européia aprovou legislação obrigando as empresas que comercializam produtos alimentícios a informar aos consumidores daquele continente a presença de óleo de dendê na composição dos mesmos. Isso foi feito para atender o clamor de organizações da sociedade civil que afirmam que a expansão do cultivo de dendê em países asiáticos com pouca disponibilidade de terra agricultável está causando a destruição de florestas nativas que abrigam animais no limiar da extinção, como orangotangos, tigres, rinocerontes e elefantes. Além disso, essas organizações argumentam corretamente que a destruição de florestas nativas contribui para o aquecimento global, pois as mesmas são importante repositório de carbono.

Segundo o diário inglês Daily Telegraph, as exportações mundiais de óleo de dendê passaram de 500 mil toneladas em 1962 para 2,4 milhões em 1982. Em 2008 a produção atingiu 48 milhões de toneladas. E as previsões são de que, mantida a situação atual, a demanda por esse produto poderá duplicar até 2030. Uma das principais razões para esta explosão na demanda global pelo óleo de dendê é a possibilidade de seu uso como biocombustível. Por isso existe um movimento de organizações não governamentais nos países desenvolvidos para boicotar o consumo de óleo de dendê e com isso forçar a queda na demanda mundial por essa importante commodity. Isso provocaria uma diminuição do seu preço e tornaria a expansão da cultura menos atraente sob o ponto de vista econômico.

Refletindo o clamor popular, um relatório do Parlamento Britânico sugeriu que a Comunidade Européia deveria renunciar à promoção indiscriminada dos biocombustíveis porque causam mais danos que benefícios para o meio ambiente e prejudicam a economia dos países mais pobres. Apesar de parcialmente verdadeira e procedente, a preocupação do parlamento britânico deixar ver que existe muito mais do que mera preocupação ecológica e econômica no fato.

A expansão inicial no consumo mundial de óleo de dendê verificada nas décadas de 60 e 70 decorreu da demanda gerada pelo setor industrial alimentício, especialmente as grandes multinacionais, então reféns do agronegócio de soja americano que monopolizava o fornecimento mundial de óleo e gordura vegetal.

O óleo de dendê se estabeleceu no mercado internacional por duas razões principais: deriva de um cultivo com alta produção de óleo/hectare (5,5 t x 0,5 t do óleo de soja) e menor preço de comercialização (U$ 750/t x US 1.100/t do óleo de soja) em razão dos menores custos de produção. O dendê é uma planta perene que pode ser cultivada por mais de 30 anos enquanto que a soja é anual e demanda uso intensivo de máquinas, fertilizantes e pesticidas. Por essas razões, em pouco mais de 40 anos o óleo de dendê passou a dominar o mercado mundial de óleos e gorduras vegetais e em 2006 já representava 52% desse mercado, ante 19% da soja.

A reação ao avanço do óleo de dendê no mercado por parte do complexo produtor de soja e derivados americano foi brutal. Várias campanhas contra o consumo do óleo de dendê foram engendradas e tiveram sucesso parcial em conter o avanço de seu consumo. Todos já ouvimos falar que as gorduras saturadas são péssimas para a saúde não é mesmo? Quem vocês acham que ficou feliz e ajudou a espalhar pelos quatro cantos do planeta que o óleo de dendê possui quase quatro vezes mais gordura saturada que o óleo de soja? Eles mesmos, os produtores americanos.

Isso ajudou a diminuir a demanda pelo óleo de dendê e sem perspectivas de crescimento do consumo mundial o avanço da cultura se estagnou. Até o advento de seu uso para a produção de biocombustível os agricultores asiáticos apenas cuidaram dos plantios existentes.

A tendência de uso em massa de biocombustíveis (excluindo a cana-de-açúcar) se iniciou há pouco mais de 10 anos com a disparada nos preços do petróleo. Isso viabilizou investimentos na pesquisa e produção de biocombus-tíveis tendo em vista o potencial de demanda representado por países e amplos setores da economia global dependentes do petróleo. O dendê foi selecionado como o cultivo mais promissor em razão de seu alto rendimento na produção de biocombustível (quantidade de óleo/hectare de cultivo): três vezes maior do que a do pinhão manso, cinco vezes a do óleo de canola e dez vezes a do óleo de soja.

E foi com o aporte de recursos facilmente captados nos mercados financeiros e a perspectiva de lucro fácil transformando o óleo de dendê em biocombustível que a Malásia e a Indonésia, que concentram 90% da produção mundial, investiram alto na expansão do cultivo de dendê. A Indonésia, que já possui seis milhões de hectares de plantios de dendê, pretende plantar outros quatro milhões de hectares da espécie até 2015 visando a produção de biocombustível. Entretanto, como esses países tem sérias limitações territoriais para a expansão desses cultivos, o avanço sobre áreas florestais era inevitável. Reside ai o clamor mundial contra a expansão do cultivo do dendê.

Essa é a ‘inspiração’ na qual a imprensa dos países desenvolvidos, e mesmo alguns importantes periódicos brasileiros, se baseia para afirmar que o dendê é o exemplo perfeito de cultivo para a produção de biocombustível que causa destruição e outros males para o meio ambiente e a economia de quem o produz com esse fim. Pode parecer exagero, mas essa campanha ‘cheira’ a orquestração por parte dos grandes produtores de petróleo da Europa, Inglaterra e Noruega. Afinal eles são os maiores beneficiários do atual boom no preço do petróleo, que de tão elevado viabilizou a exploração de jazidas antes inexploráveis no Mar do Norte.

Por isso vale a pena questionar: a quem interessa a paralisação do avanço do cultivo do dendê, inclusive no Brasil?

É claro que o cultivo de dendê não é isento de causar problemas ambientais. Mas comparado com a soja, seu principal concorrente no mercado tanto na produção de óleo, gordura e biocombustível, são claras as vantagens do primeiro. O dendê, que não representa mercado significativo para as grandes multinacionais do setor agrícola, é uma cultura perene que após dois ou três anos de plantio não requer uso de herbicidas para o controle de ervas daninhas e que ao longo do seu ciclo de produção emprega grande quantidade de mão-de-obra rural. O acesso ao material genético de qualidade deste cultivo não é complicado ou caro. A soja, por outro lado, é uma cultura anual que requer intenso uso de maquinários caros, agrotóxicos em grande quantidade e demanda pouca mão-de-obra rural. É uma cultura cujos principais insumos, especialmente as sementes e herbicidas, são propriedades das grandes corporações multinacionais euro-péias e americanas.

Portanto, se houver vontade política e cuidados ambientais, o cultivo de dendê para a produção de biocombustível no Brasil não causará problemas ambientais similares aos verificados nos países asiáticos, especialmente o desmatamento de novas áreas florestais. Aqui existem milhões de hectares de terras cultiváveis antropizadas ou ocupadas por pastagens degradadas que podem servir como locação para os futuros plantios de dendê. Penalizar indiscri-minadamente em nível global o cultivo de dendê é uma injustiça para os produtores e empreendedores agrícolas brasileiros.

O futuro da produção de biocombustíveis em larga escala não exclui o dendê como uma das espécies prioritárias. O que estamos esperando para começar a plantar dendê?

*Evandro Ferreira é engenheiro agrônomo e pesquisador do Inpa/Parque Zoobotânico da Ufac.

 

“A poluição é uma pílula amarga no Rio Acre”

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Fragmentos de lágrimas

Compadece te daqueles que enfrentam o mundo, Oh!!! Pai, mas não sabem como remover o simples entulho  de suas mentes, quando o assunto é a defesa do Rio Acre.

Com fundas e profundas ruga o Rio Acre mostra o cerne, dor  e sofrimento. Logo ele que cativa o espírito e sacia a sede da humanidade. E sobre suas águas ainda estamos construindo o futuro.
Minhas letras e meu sentimento saltam degraus do tempo, para a luz da divindade em busca da semente social a proteger, aquele que não é o maior rio do mundo mas, é mundo da nossa terra.
Sonho, com um dia de sonho, para ver os tímidos desferir golpes de ousadia e os derrotados se tornarem construtores de oportunidades. E se um dia você seguir o curso de um rio, saiba que ele irá te encher de esperança. 

E você continuará sendo o alicerce de uma raiz profunda fincada entre a emoção e a razão, em busca de novos conhecimentos na sala do anfiteatro da vida. Ainda assim, não percebemos que o rio é o lugar onde se chega quando se cansa de pensar.

Proteger o Rio Acre não é frase para ser interpretada apenas como a germinação de uma plantinha indefesa, mas sim de uma floresta de esperança, capaz de devolver à mãe natureza o agasalho e a proteção das águas, que nos conduz a mundos onde nunca fomos, pois quem preservar um rio terá sempre um rio de amor no coração.

O Rio Acre é merecedor de toda luz que visa a sua proteção, como se fosse um fino cristal que habita o santuário da consciência de cada acreano.
A luz que brilha do seu caudaloso volume sobre cristais de areia fina é tão emocionante que talvez o verbo humano nunca consiga sinônimo para reproduzi-lo e, se há dúvidas na caminhada, siga sempre por suas margens.

E se um dia a escassez e a fome abater-se na região, é porque o contínuo pulsar da natureza desse ecossistema encontrar-se no limite extremo da incontida agressão.  Onde tua água estiver lá estará nossos passos em compasso com o seu ritmo.

Conhecer o curso de um rio  que multiplica vidas e nutre a alma no modo objetivo e subjetivo, leva-nos a decantar a ganância que move a ânsia do luxo duradouro.
Esperamos que estas palavras iluminem os caminhos dos grandes homens que buscam os rios que procuram. A proteção do Rio Acre deveria constar na agenda e no coração de cada cidadão acrea-no, mas hoje a única certeza é que a revitalização deste rio será plena se a escala evolutiva da sensibilização for disseminada por longas portas da sociedade.Nunca passou pela lembrança tenra dos senhores da razão que o perfume das águas do Rio Acre ainda exala nos poros da floresta social.

Este rio é e será sempre, o pilhar mestre dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Embora receba grande quantidade de resíduos oriundos da humanidade que alimenta-se de suas águas, ele continuará supremo, pois sua sutileza consiste na semelhança das diferenças.

Na história, o Rio Acre aparece apenas como o rio do boto cor-de-rosa, da lenda da cobra grande, da borracha, da castanha e palco da revolução acreana, mas nunca como fiel provedor dos nossos sonhos, sabendo que as águas nos conduzem a mundos que nunca fomos.

Este ente da natureza espera apenas compartilhar momentos de euforia e rara beleza em plena primavera de flores. No outono, dividir igualitariamente o sorriso da colheita em cada jardim e, nas vazantes do verão, deseja aconchegar o corpo humano aquecido em praias de águas mansas. Que da natureza de um admirável rio, possa nascer consistentes olhares, em busca de uma sólida parceria entre o homem e o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.

Um rio é capaz de montar e remontar o mais belo cenário natural da face da terra sem esquecer os componentes de sua formação. Da mesma forma que é capaz de sensibilizar mentes dementes de um povo que precisa retificar os esteios do progresso latente.

Dos afluentes, aqueles que o homem transforma  para receber resíduos, o progresso deveria ser complacente tal qual o tempo  que age como fluídos no canal de drenagem. Seria tão bom que as florestas e as flores semeadas pela mão do rio, garantissem a perenidade do colorido em suas margens.

E que o acesso à água de boa qualidade, se constituísse em estruturas sólidas para a população pesquisar o tão sonhado e desejado  patrimônio biogenético da vida aquática existente no Rio Acre.
Embora a face sombria chegue de mansinho e se instale sem que percebamos, estamos transformando as vázeas do Rio Acre em áreas insalubres, propícias à proliferação de doenças de veiculação hídrica.
De maneira geral, encontramos dificuldades para proteger o futuro do nosso santuário ecológico. Da poltrona fixa no tempo, assistimos passivamente o tempo da omissão escorrer. Todavia, o sonho das águas que vêem do interior da terra, para flutuar no corpo, irrigando células vivas, em vida, deve a todo custo, morar ao nosso lado.

Não basta conhecer apenas fragmentos, mas a alma do rio que existe no coração de cada homem.  
É com o sentimento à flor da pele, que o poeta e o rio pretendem plantar no seu coração, um grão de esperança na ânsia de assegurar o plantio nos jardins tão diferentes, na terra de homens tão iguais.

Caro Leitor existe um lugar onde tudo é possível... o amor é verdadeiro tudo se conquista nada, nada o amor os dias são calmos se dormir um soninho de paz, verás que todo amanhecer é lindo, este lugar se chama Rio Acre.

* Claudemir Mesquita é professor e escritor. Membro da Academia Acreana de Letras, e presidente da Associação Amigos do Rio Acre.

 

Nada é eterno!

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Como repórter deste matutino, tenho acompanhado as sessões na Aleac e percebo muitas discussões e uma efetividade meio que distante da rea-lidade. Parece que os assuntos colocados em questão nunca tem um encaminhamento certo. Se tiver, não há uma divulgação. Acredito que o apelo do deputado Wherles Rocha (PSDB) tem certo fundamento quando pede mais agilidades nas matérias a serem votadas. Percebo que os projetos dão entrada e o retorno se aprovados ou não ficam no vazio.

Outra questão que vejo, nos bastidores, que certos assuntos levados à tribuna, por alguns parlamentares, nem eles mesmo acreditam no que estão falando. Nas soluções dos problemas. Acredito que o parlamento brasileiro, em especial acreano, precisa acordar para assuntos mais pontuais como saúde, educação, segurança. O deputado Luís Tchê (PDT) expressou bem isso durante essa semana quando cobrou dos colegas mais empenho para discutir coisas relevantes.

Um fato que me deixa entristecido é o atrelamento dos parlamentares ao Executivo, aqui abro um parênteses e não estou me referindo a partidos que estejam no Poder Executivo, isso é geral, independente de época. O poder Legislativo deveria agir com maior independência. As votações deveriam acontecer, por exemplo, com base naquilo em que o parlamentar pensa e não o que o Executivo acredita ser. “Ah eu tenho que votar com a minha bancada”. Isso é vergonhoso. O deputado é pago e bem pago e pode sim discordar seja oposição ou situação, principalmente nas votações.

O voto em conjunto ele é deprimente, acredito, até para o parlamentar. Voltando aos requerimentos votados na sessão de quinta-feira, 14, de autoria do deputado Rocha (PSDB) mostrou tudo que eu explicitei aqui. Foram 12 votos contrários e apenas 3 a favor. Será que 12 deputados têm o mesmo pensamento? O parlamento não pode ser fixo em determinado lado. O parlamento é a representatividade do povo.

Quero ressaltar aqui que isto, posto neste artigo, não são críticas aos “nobres deputados” como sempre diz o presidente Élson Santiago (PEN), mas o desejo de um cidadão que imagina um parlamento mais preocupado com as questões sociais, com o que de fato interessa. Porque depois de 4 anos, meu amigo, todos são iguais. Quem tinha poder pode não ter mais.

É preciso despertar. Tem parlamentar que não abre a boca para ir à tribuna. Não faz um aparte. Não pede nem pela ordem! Acredito que o deputado tem que falar. Buscar a imprensa. Dizer o que pensa. Não chegar e sair como se nada tivesse acontecido. O mandato não é eterno. Nada é eterno!


JOSÉ PINHEIRO,  jornalista da equipe de A GAZETA
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O tempo de uma nova economia

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O Acre já foi um vivo, produtivo e afluente seringal. Não tinha conexões econômicas importantes com a economia brasileira. Salvo a tributária, que enchia os cofres do tesouro nacional. Este foi o tempo do extrativismo tradicional de borracha.

Depois, veio uma lenta agonia do seringal cuja origem estava na concorrência da borracha produzida em seringais de cultivo da Ásia. Primeiro a vertigem, depois uma morte lenta e dolorosa. Eis aí, um decurso muito estudado e conhecido na academia, o tempo da crise do extrativismo tradicional.

O breve ressurgimento extrativista da segunda grande guerra, que estendeu seus efeitos até o colapso dos seringais reativados pelos incentivos transitórios dos “Acordos de Washington”, foi abordado com acuidade pelo professor e historiador Pedro Martinello no seu livro “A Batalha da Borracha”, um clássico da historio-grafia do Acre. Pode-se falar, portanto, de um tempo de ressurgimento do extrativismo.

Desnudadas as contradições do antigo seringal, no ápice da longa crise extrativista, o aguçamento das dificuldades de sobrevivência, os litígios fundiários, os crimes ambientais, o êxodo, a formação de povoações urbanas “obesas”, a ameaça sobre a cultura, a identidade, o modo de vida, a morada tradicional do seringueiro e as lutas sociais fizeram brotar e desenvolver propostas de incremento tecnológico, de reorganização territorial, de posse e exploração dos recursos, por concessão, da floresta e da terra.

Além disso, promoveu-se o manejo sustentável, comunitário e empresarial, dos recursos florestais como parte da constituição de uma economia florestal, base do projeto de desenvolvimento sustentável.

Esse período recente de criação de alternativas para saída da crise consistiu, justamente, no tempo de transição e de estabelecimento das bases de uma economia sustentável.
Foram, nessa época, construídos os requisitos fundamentais do desenvolvimento: infraestrutura, educação, cidadania e mudanças institucionais.

A contemporaneidade revelá-nos o salto para um patamar superior, o surgimento de um tempo novo: o desenvolvimento sustentável diversificado.

O conceito de sustentabilidade não se restringe e nem se aplica, apenas, ao manejo produtivo da floresta. Inclui também o manejo do solo e da água. Em todas essas classes de uso de recursos, pode acontecer e desenvolver-se a produção sustentável.

O suposto demonstra a factibilidade de uma agricultura e piscicultura sustentáveis, da criação de pequenos animais, da agropecuária sustentável. Em tese, todas atividades produtivas que usam recursos renováveis são aptas à sustentabilidade. Claro, quando se fala em manejo do solo, ressalva-se a manutenção da cobertura florestal, ou seja, o uso de áreas já abertas.

A conexão e soma da exploração econômica sustentável da floresta, do solo e dos recursos hídricos estão na base do avanço que está acontecendo no Governo Tião Viana.
Há também iniciativas de profundos impactos nas condições sociais e culturais.

Há sinais e testemunhos de um tempo e marco novos no projeto de desenvolvimento sustentável do Acre.

Oito exemplos permitem discernir essa percepção e vislumbrar as mudanças estruturantes na economia e no domínio social. São empreendimentos de escala e alta tecnologia: a Granja Carijó, o Complexo de Piscicultura, o projeto Dom Porquito, o Complexo Florestal de Cruzeiro do Sul; o complexo Florestal de Tarauacá, os Pequenos Negócios, as Ruas do Povo e a Cidade do Povo.

Dentre estes, os projetos econômicos, são todos projetos resultantes de uma estreita parceria, uma articulação, uma concertação entre o governo e a iniciativa privada. E, no geral, são projetos que têm participação dos pequenos produtores e/ou entrega de benefícios às comunidades.

No campo da produção, os investimentos têm um poderoso efeito multiplicador e geram elevados ganhos de escala e de produtividade que resultam num salto do tamanho e da eficiência da economia. O multiplicador e o acúmulo quantitativo determinam o salto qualitativo. A economia do Acre “já não é mais a mesma”. É maior, mais produtiva e diversificada. Uma nova economia. O tempo da escala, produtividade e diversificação. Para gerar renda, emprego, cidadania e bem-estar social com sustentabilidade.

* Prof. José Fernandes do Rêgo, secretário de Articulação Institucional.

 

Reconhecendo Chávez

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Como presidenta da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, integrei o grupo de autoridades brasileiras que participaram das homenagens ao presidente Hugo Chávez, em Caracas, junto à presidenta Dilma Roussef, o ex-presidente Lula, ministros e governadores. O presidente Chávez construiu, ao longo de 14 anos de poder, laços emocionais com líderes políticos em todo o mundo. Destacou-se como comandante de uma revolução que priorizou a inclusão social e voltou-se aos mais pobres, mais humildes. A dor de todos os venezuelanos dá a verdadeira dimensão do significado do presidente Chávez para a Venezuela e sua importância para a América Latina, especialmente a nossa região.

Antes do presidente Hugo Chávez e da sua revolução bolivariana, a Venezuela oscilava de ilustre desconhecida a estereotipado país produtor de petróleo e criadouro de ditadores de direita, com uma minoria economicamente dominante e uma massa miserável e sem perspec-tiva. Trezentas famílias se locupletavam com os lucros da exploração privatizada do petróleo, enquanto o restante da população se equilibrava na corda bamba da falta de empregos, habitações, saúde e educação, agravada por uma inflação de 40% ao mês.

O presidente Chávez mudou tudo! Sua celebre frase, “Por ahora’’, proferida logo ao assumir seu primeiro mandato, já mostrava a urgência das ações que iniciou logo ao assumir, para se contrapor aos séculos de exploração a que estava submetido o povo venezuelano. Erradicou o analfabetismo, executou um importante programa de habitação popular, levou saúde e dignidade aos pobres. Programas semelhantes aos adotados no Brasil, permitiram o acesso das camadas mais carentes aos serviços públicos e a aquisição de bens de consumo.  Atualmente, o salário mínimo no país equivale a R$ 1.500. A Venezuela pasmem (a grande mídia não divulga isso) é hoje o país menos desigual da América do Sul. A inflação está 16 pontos percentuais abaixo do índice registrado quando o presidente Chávez assumiu e implementou diversas medidas de controle da economia.

Isso tudo explica a adoração do povo pelo seu líder. Isto, talvez, também explique porque uma enfermeira esperou 24 horas na fila para ver o corpo do seu presidente. Isso tudo explica também a frase da presidenta Dilma, ao receber a notícia da morte de seu amigo: “é uma perda irreparável”.

Nem sei dizer o que mais me tocou, se a população nas ruas que chorava inconformada, ou se a multidão que formava filas quilométricas na tentativa de se aproximar do caixão. Emocionada, deixei minhas lágrimas se misturarem as das pessoas simples, que choravam a morte de seu líder. À frente do caixão, registrei na memória cenas de amor incondicional, como a continência dos homens, civis e militares.  O sinal da cruz, das mulheres que buscavam na religiosidade um meio de encaminhar o presidente morto a um destino supe-rior. O guarda, que incansável, erguia as crianças para que pudessem visualizar a face do presidente e a conversa das idosas ao lado do caixão. Era como se ele continuasse a se comunicar com o seu povo.

Finalmente entendi o motivo da frase dita em uníssono por garçons, arrumadeiras do hotel, taxistas, estudantes e todo o tipo de gente - “Vamos dar continuidade ao projeto de Chávez’’, e da frase escrita nas janelas das casas e nos carros: “Agora é quando sou Chávez’’.

O grande legado do presidente Chávez pode ser o despertar da América do Sul para a possibilidade de um novo jeito de caminhar, baseado na coletivização das riquezas e no intercâmbio com os países vizinhos. Chávez foi uma bússola que desafiou o império e deixou de apontar para o Norte, marcando um caminho de independência e solidariedade. Como lembrou a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner: “Bolivar, o ídolo de Chávez foi um libertador de povos. Hugo Chávez foi um libertador de mentes”.

O Brasil precisa continuar irmanado à Venezuela. Parceiro, para que possamos levar em frente o que o Chávez desejava - “Adelante América del Sur’’.

* Perpétua Almeida é deputada federal pelo PCdoB do Acre e presidenta da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.

 
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 Jussara Holanda
Segunda-Feira e Sexta-Feira

Editorial

Imperdoável e irresponsável

 Passada a estridência da Operação G-7, desencadeada pela Polícia Federal com as primeiras medidas judi-ciais tomadas, este Estado precisa retomar o quanto antes suas atividades para não engessar os diversos setores da economia, com sérios prejuízos para a sociedade.

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