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Francisco Assis dos Santos

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Caminhos ambíguos!

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Neste Brasil continental e afobado, com a informação veiculando quase que instantaneamente; Brasil em que as pesquisas ditas “científicas” dão o tom das eleições levando o eleitor de roldão; eleição que traz à tona milhares de  “candidatos” despreparados que foram picados pela “mosca azul”. Abro parêntese, para dizer que a grande maioria destes picados pela “mosca azul” desconhece as regras do jogo em que estão envolvidos. Dias destes perguntei a um candidato a deputado estadual, de uma coligação de manda-chuvas, quantos votos o partido dele precisaria ter, na coligação, para fazer um deputado estadual, obtive como resposta um profundo silêncio. Expliquei que para ele ser eleito o seu partido precisaria ter determinados votos e  ele ser o mais votado do partido. Pelo menos era assim no passado. Como faz tempo que não leio a legislação, pode ser que eu esteja equivocado.


Com o semblante caído o jovem postulante passou da euforia a uma tristeza danada, uma vez que se for assim, suas chances são poucas, pois que lá no seu partido existem pelo menos duas cobras criadas que devem ser os primeiros dessa sigla nanica. Tenha ânimo, amigo, você será bem votado. Se conseguires cerca de R$ 20.000,00, terás uma votação de 80 votos. Foram as minhas últimas palavras!


Pois bem, neste país em que quase todos estão em busca dos prazeres fugazes da carne, vejamos, por exemplo, essa questão da inserção dos evangélicos na política partidária, debaixo da assertiva: “irmão vota em irmão”. Existe coisa mais atrasada do que essa máxima? Deixa a impressão que as igrejas, de maneira especial as evangélicas viraram “curral eleitoral”


Sempre observo, com algum cuidado, esse envolvimento e ativismo político, especialmente, repito, dos crentes com a política partidária, pois se por um lado aceito a inclusão, na política, daquele cidadão crente que não ocupa cargos eclesiásticos, por outro lado vejo como problemática a inclusão de pastores, padres e líderes de denominações, quaisquer que sejam. A questão é simples de dirimir: primeiro: o que vem a ser o reino de Deus? No que consiste este Reino? Bem, qualquer reino, em qualquer mundo possível, implica numa coisa básica. Num reino existir somente um Rei, os demais são apenas súditos. Segundo: O reino de Deus não é deste mundo, não está embasado em posses terrenas. É um reino regido pelo amor de Deus ao mundo.

 Deus é amor. Este amor de Deus pelo mundo, já dizia Tellard de Chardin, é a extensão do seu amor sobre os homens. Em contrapartida a política, ou melhor, a sordidez política, especialmente a partidária, é no dizer do jornalista Clóvis Rossi, a mãe de todas as misérias. Reino de Deus e política são caminhos ambíguos.


Então, o que um pastor ou padre distinguirá entre as prioridades do Reino e os interesses da política?  Deste modo soa estranho: pastor-deputado ou padre-vereador; pois que ou o cidadão é pastor ou padre ou é vereador, deputado, senador, etc.     

          
Padres e pastores, até aonde se sabe, são portadores de uma vocação especial de serviço e consagração (separados). Estes são altamente considerados, onde se destaca, entre todas as vocações, o ofício de pastor espiritual (padres, bispos, freiras, pastores, etc.) do rebanho cristão. Para estes, especificamente, foi que o apóstolo Paulo, em súplicas a Deus, rogou para que andassem de modo digno da vocação a que foram chamados (Ef. 4.1). Assim nunca é demais a assertiva de que os cristãos e, em especial, os consagrados ao serviço de Deus, são chamados a viver uma vida de tal modo exemplar que o mundo não possa negar que sejam filhos de Deus.


Ademais, todo cristão tem uma vocação no mundo, porque tem uma posição na qual pode servir ao semelhante; a vocação no mundo está estruturada por meio de ordens e ofícios divinamente estabelecidos; tudo que o cristão faz em sua vocação no mundo é por amor e para e bem estar humano; todo serviço vocacional é igual perante Deus, mas sua significação so-cial varia; o cristão deve sentir-se alegre por ter uma vocação dada por Deus, na qual pode servir seu semelhante, com boas obras; todas as pes-soas devem ter oportunidades de preparar-se para ofícios para os quais estejam devidamente qualificados. 


Também, a tese de que “o evangelho não serve apenas para organizar a vida da igreja, mas também para estruturar a vida em sociedade”, bem como, a ênfase de que se elabore um projeto histórico ou uma estratégia política que estejam de acordo com os grandes valores humanos do evangelho, caem por terra quando os mais “dignos” representantes desse evangelho, nas casas legislativas, se deixam envolver pelas facilidades do sistema corrupto e corruptor da política partidária. Os recentes escândalos, com o erário público, fartamente noticiado pela mídia, com o envolvimento de muitos “pastores e bispos” de igrejas evangélicas, que detém cargos ele-tivos, deixam obvia a ausência, nos tais, de probidade e de caráter cristão genuíno.


Evangélico não tem, necessariamente, obrigação de votar no seu “irmão de fé”. O evangélico  tem o dever de votar no melhor candidato, de acordo com sua consciência, de cidadão, conforme as necessidades do seu município, Estado ou seu país. O resto é conversa para boi dormir ou falácias, ditas para enganar.

* Francisco Assis dos Santos é professor e pesquisador bibliográfico em Filosofia e Ciências da Religião. E-mail: assisprof@ yahoo.com.br

 
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