FECHAR
Home

O caminho de volta

E-mail Imprimir PDF

Vergonha; medo; desgosto; culpa; rejeição; fúria; traição; decepção; fome; miséria; ganância; perversidade; vingança; distúrbio da personalidade; perturbação mental; enfim, é extensa a lista de fatores sociais e psicológicos que podem transformar um cidadão de bem num criminoso frio e calculista.


Notadamente, o caminho que conduz o homem ao crime tem sido percorrido por muitos estudiosos, ao longo da humanidade. Todavia, poucos se dispõem a estudar os efeitos psicológicos advindos do cárcere. Como conseqüência, a mesma eficiência demonstrada pelo Estado ao julgar o infrator da norma legal, não se constata na efetivação da sentença, com a execução penal.


Os processos mentais que se manifestam durante a execução da pena precisam ser conhecidos e compreendidos. Cabe, sobretudo, a advocacia, seja a pública ou a privada provocar a mudança de comportamento do Poder Executivo, responsável pela administração dos presídios, no sentido de zelar pela integridade física e moral do preso.


A função do Direito Penal não se exaure na indispensável proteção de bens jurídicos fundamentais do indivíduo e da sociedade, como a vida e a propriedade; e ainda, não podemos esquecer da função garantidora ou de garantia, expressa na proteção da dignidade do indivíduo autor de um delito frente ao Estado.


Ademais, ao identificar os reflexos da prisão na pessoa do condenado, o Estado poderá agir preventivamente, no sentido de evitar que ao deixar o cárcere, o apenado volte a delinqüir. O Relatório de Acompanhamento Carcerário (RAP), diga-se, não é suficiente para tal constatação. Um preso que age como um cordeirinho atrás das grades pode se revelar um lobo feroz ao progredir de regime.


Tomemos por exemplo, o caso “Andriola”. Com bom comportamento e carta de emprego em mãos, ele deixou o presídio e algumas semanas promoveu um festival de sangue na cidade.


Muitos o taxam de psicopata. Outros acreditam ser pura perversidade. O certo é que na ausência de um exame criminológico detalhado – que infelizmente não é mais obrigatório – ainda não se definiu o perfil psicológico do acusado. A defesa, por outra via, aposta na insanidade mental do réu para justificar sua reação monstruosa.


Uma lição podemos tirar de tudo isso: a prisão não recupera ninguém e, dependendo do caso, potencializa ainda mais o instinto criminoso do apenado, que ao retornar ao convívio social se vinga da sociedade por tudo de ruim que viveu quando estava atrás das grades.


O caminho de volta dos egressos do sistema prisional precisa ser melhor monitorado, sob pena de muito sangue ainda vir a ser derramado.

*Dulcinéia Azevedo é jornalista e escreve às terças-feiras nesta coluna. E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

Opinião

  • 0
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
prev
next

Dulcinéia Azevedo / Terça-feira

As omissões do Caso Eliézer

A ser verdade o que andam comentando por aí, este jovem apontado como o causador do acidente que matou uma garota de 13 anos no Parque da Maternidade e feriu ...

Dulcinéia Azevedo / Terça-feira | Agazeta | Terça, 24 Agosto 2010

Leia mais

A marginalidade de cara nova

Talvez você ainda não tenha observado, mas o perfil do delinqüente mostrado hoje na TV difere completamente daquele visto há alguns anos. O infrator da lei da atualidade é descolado, ...

Dulcinéia Azevedo / Terça-feira | Agazeta | Terça, 17 Agosto 2010

Leia mais

Fábio Pontes / Quarta-feira

Em dia com nosso atraso

As dificuldades que caminhões, ônibus e carros pequenos encontram para atravessar o Rio Madeira com destino ao Acre (e vice-versa) nos revelam a nossa eterna dependência desse arcaísmo. E o ...

Fábio Pontes / Quarta-feira | Agazeta | Quarta, 1 Setembro 2010

Leia mais

Bandidagem está solta

Definitivamente cheguei à conclusão nos últimos dias de que o Acre é o pior lugar para se viver; é o pior tanto na Amazônia como do Oiapoque ao Chuí. A ...

Fábio Pontes / Quarta-feira | Agazeta | Quarta, 25 Agosto 2010

Leia mais

Nelson Liano Jr / Quinta-feira

Integrar para pacificar

Um dos maiores problemas da violência no Acre são as suas fronteiras com a Bolívia e o Peru, dois grandes produtores de cocaína. Afinal são mais de três mil quilômetros ...

Nelson Liano Jr / Quinta-feira | Agazeta | Quinta, 2 Setembro 2010

Leia mais

E agora José?

Não existe eleição ganha. Só depois de abertas às urnas é que se pode comemorar. Outra coisa: uma campanha eleitoral é quem nem o vento que, às vezes, muda de ...

Nelson Liano Jr / Quinta-feira | Agazeta | Quinta, 26 Agosto 2010

Leia mais

Eliane Sinhasique / Sexta-feira

Brasileiras são melhores!

As mulheres do Brasil andam felizes da vida. Não é para menos. Temos motivos de sobra para andar com a cabeça erguida e olhar nos olhos de quem quer que seja. Saímos ...

Eliane Sinhasique / Sexta-feira | Agazeta | Sexta, 3 Setembro 2010

Leia mais

Péssimo Conselho!

Diz o ditado que se conselho fosse bom não era dado, era vendido. No caso do Conselho Nacional de Justiça - CNJ - que realiza os mutirões carce-rários com o objetivo ...

Eliane Sinhasique / Sexta-feira | Agazeta | Sexta, 27 Agosto 2010

Leia mais

Ramiro Marcelo - Sábado

Eleição ou concurso?

Você, leitor, já tentou imaginar quanto é gasto numa eleição? Em programas, anúncios e, infelizmente, com compra de votos? Quanto se perde com funcionários públicos liberados por um tempo para ...

Ramiro Marcelo - Sábado | Agazeta | Sábado, 4 Setembro 2010

Leia mais

Cadê a polícia?

O setor que mais deve estar crescendo no Acre “deve” ser o de segurança. Diariamente encontro nas palavras de algum amigo o novo sistema de alarme instalado em sua residência ...

Ramiro Marcelo - Sábado | Agazeta | Sábado, 28 Agosto 2010

Leia mais

Clicks & Flash's

Logo-coluna-Jussara

rotatursitica

Tempo


amanda