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O João e a Julie são meus bens mais preciosos. Ela tem 14 anos e está se tornando uma linda mocinha. Ele, aos 9 anos, já se sente o homenzinho da casa. João e Julie são meus filhos. São a extensão da minha vida neste mundo de incertezas e ilusões. Motivo pelo qual me acordo todos os dias e encaro mais um exaustivo dia de trabalho. É por eles que faço planos, por eles que luto e encaro qualquer parada.


Sempre fui uma mãe protetora, daquelas que se vira nos trinta para conciliar casamento, trabalho, maternidade. Meus filhos nunca haviam ficado sozinhos, até a última sexta-feira, quando meu marido precisou se ausentar por meia hora para pegar o boletim escolar do meu caçula. Tempo suficiente para um desconhecido, armado, entrar no meu apartamento e aterrorizar minhas crianças.


Eram 9 horas da manhã. Na vizinhança ninguém viu ou ouviu nada. Também pudera, apavorados, meus filhos ficaram de bocas bem fechadas, en-colhidinhos num cantinho do quarto, enquanto o hóspede indesejado tomava posse do meu ganha pão (um computador) e do meu lazer (um aparelho de DVD). Depois trancou as crianças e ameaçou: “se gritar eu volto e mato vocês”.


A invasão, segundo as crianças, durou pouco mais de cinco minutos. Graças a Deus meus filhos estão bem. Talvez um pouco traumatizados, mas com doses diárias de amor vai ficar tudo bem.


Infelizmente nem todas as mães têm a oportunidade de abraçar seus filhos, maridos e outros parentes, após um roubo. Principalmente quando o invasor está armado, e drogado, como era o caso do jovem que invadiu o meu apartamento, certamente no intuito de colher alguns objetos para sanar uma dívida de droga.


Quantas mães não choram até hoje a forma covarde e cruel como familia-res foram executados a troco de poucos reais. Ou então porque reconheceram os invasores. Moro no Conjunto Manoel Julião e apesar das muitas notícias de roubos e furtos no local nunca tinha sentido a violência tão perto de mim.


A propósito, roubos e furtos não são os únicos problemas deste conjunto, que não se sabe por quê foi literalmente riscado da lista de prioridades do poder público. Espero que isto não esteja relacionado ao fato de os petistas que moravam no local terem prosperado e passado a habitar residenciais de luxo. Ou mesmo, a relação que a obra tem com um tradicional político do PMDB, seu idea-lizador e criador.


O certo é que o Conjunto Manoel Julião precisa de uma intervenção urgente. Uma resposta do poder público para os muitos problemas regis-trados no local, que vão desde esgotos estourados à invasão armadas de bandidos. Torcemos e esperamos que isso aconteça urgentemente. O João e a Julie agradecem.

*Dulcinéia Azevedo é jornalista e escreve às terças-feiras - Publicado em 22/12/2009.

 

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