Cada cidade, em qualquer parte do mundo, geralmente é lembrada por uma característica peculiar. Curitiba, por exemplo, é elogiada por seu eficiente sistema de transporte coletivo (quem dera nós). Quando fala-se em Copacabana ou Ipanema, logo nos vem à cabeça o Rio de Janeiro. Belo Horizonte se destaca por sua Lagoa da Pampulha. O símbolo de Nova York é a Estátua da Liberdade e as cabines de telefone vermelha são o charme de Londres.
E Rio Branco, essa Capital “tão distante do horizonte do país”? Bem, aos turistas que aqui chegam, e ficam somente pelo Centro, lhes resta tirar fotografias de uma bela Praça da Revolução, o Palácio Rio Branco, a Gameleira, uma passarela que segue os mais modernos conceitos da engenharia. Para nós, acreanos do pé rachado, só nos sobra lidar com uma cidade bem diferente.
A melhor classificação a ser dada a Rio Branco é a de cidade do barro. Esse tipo de solo está presente na vida do rio-branquense 365 dias. Quando no período do “inverno amazônico”, como nesses meses, o barro se mistura com a água, cria-se a lama que suja nossas roupas e sapatos, além de deixar aos carros um aspecto de que sempre circulamos em ruas de uma cidade do Velho Oeste Americano.
Não importa onde moremos. Por mais que o bairro seja asfaltado, a lama se faz presente. Vejam o meu caso. Quase todos os dias caminho do meu trabalho para casa pela Avenida Antonio da Rocha Viana. É impressionante a quantidade de lama que se acumula no meio-fio. Com tanta sujeira, os ciclistas deixam de circular pela ciclovia e dividem o espaço da rua com os carros.
Quando a chuva fica escassa e o Sol volta a dar as caras, vem a poeira. Caminhões que passam em alta velocidade nos obrigam a virarmos os rostos para não comermos poeira. Esse é apenas um caso entre milhares. Pior é para o contribuinte que todos os dias precisa, literalmente, meter o pé na lama para ir trabalhar. No verão, a casa fica branca de tanta poeira.
Sabe-se da grande dificuldade da Prefeitura de Rio Branco em cuidar de uma cidade que há mais de um século cresce de forma desordenada. São dezenas de bairros sem a mínima estrutura, as chamadas “invasões”. A Capital do Acre é um município pobre. Depende sobretudo de repasses do Governo Federal para manter seus investimentos.
Além disso, enfrenta um alto índice de inadimplência do IPTU, a principal fonte de recursos próprios. Por mais que haja incentivos para a quitação do débito, poucos são os que o pagam. Enfim, Rio Branco é uma cidade carente, com uma grande parcela da população carente dos serviços mais básicos. Cabe à prefeitura zelar por cada real que recebe e investi-lo corretamente. A nós, cidadãos, pagarmos os impostos para, assim, sairmos da cidade de barro.
* Fabio Pontes é jornalista e escreve às quartas-feiras neste espaço. e-mail:
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