Sonambulismo: uma das suas características é o esquecimento absoluto no momento do despertar

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Sonambulismo vem do latim somnus = sono e ambulare = marchar, passear é um estado mental dissociativo no qual o indivíduo se levanta durante o sono e sem ter a consciência de seus atos realiza atividades motoras.

As pessoas sonâmbulas podem agir como se estivessem procurando objetos perdidos. Segundo os especialistas uma das características do verdadeiro sonambulismo é o esquecimento absoluto no momento do despertar,

O sonambulismo geralmente ocorre a partir do momento que uma criança aprende a andar. Porém, os primeiros episódios começam a ocorrer com maior freqüência, entre 4 e 8 anos de idade, sendo que a prevalência máxima ocorre por volta dos 12 anos.

Conforme sugere Percília (2012), o sonambulismo ocorre em aproximadamente em 20% das crianças de 3 a 10 anos em média de uma vez por anos, desaparecendo em seguida, sem deixar vestígios.

ESTÁGIOS DO SONO
O sonambulismo é um distúrbio benígno que ocorre no primeira das várias passagens de um sono. O sono tem cinco estágios durante os quais as ondas cerebrais vão diminuindo de intensidade até atingir um profundo estado de relaxamento.

Conforme a literatura, no sonambulismo, as ondas cerebrais, vindas de uma área do cérebro chamada ponte, se apresentam irregulares, por isso não cumprem corretamente a função de inibir a região motora. Sendo assim, como as áreas motoras continuam ativas, o sonâmbulo é capaz de se sentar, andar e trocar a roupa. Já a área relacionada à consciência, situada no hipotálamo, as áreas motoras se mantém quase inativa, isso explica porque quem sofre desse distúrbio não percebe o que está fazendo nem tampouco se lembra do que ocorreu no dia seguinte.

CARACTERÍSTICAS
A principal característica do sonambulismo compreende levantar-se da cama e deambular. Um manual usado por profissionais de saúde mental, o DSM-IV, define sonambulismo de acordo com alguns critérios e dentre eles estão:

- A pessoa não se lembra do que aconteceu durante o episódio de sonambulismo;
- A pessoa acorda confusa depois de um episódio de sonambulismo;
- A pessoa não sofre de demência ou de outro problema físico;
- A insônia prejudica a vida so-cial e profissional.
Alguns autores acreditam que o sonambulismo em crianças geralmente não está associado com outros transtornos mentais, mas em adultos pode haver uma associação com Transtornos da Personalidade, Transtornos do Humor ou Transtornos de Ansiedade.

CAUSAS
Há uma falta de consenso sobre as causas do sonambulismo. Alguns autores entendem que o sonambulismo pode ser desencadeado por vários distúrbios médicos gerais, psiquiátricos e neurológicos, a exemplo da apnéia do sono obstrutiva, movimentos periódicos das extremidades, crises noturnas, doença febril e uso ou abuso de álcool.

Outros autores acreditam que a privação do sono, a gravidez, menstruação e os medicamentos específicos, incluindo psicotrópicos ou neurolépticos, são algumas das causas do distúrbio.

TRATAMENTO
Habitualmente não é necessário nenhum tratamento específico para o sonambulismo. Mas, quando se faz necessário o tratamento pode ser feito a base calmantes, ou seja, remédios que provoquem relaxamento durante o sono.

Marchi (2012) assevera que, em alguns casos, principalmente aqueles que envolvem perigo ao paciente os medicamentos antidepressivos podem ser utilizados.

Além disso, os especialistas recomendam tomar algumas medidas de segurança, para impedir a ocorrência de lesões, quais sejam: a modificação do ambiente, mudando objetos como fios elétricos ou móveis para reduzir tropeções e quedas.

Mesmo entendendo que a maior parte dos comportamentos durante os episódios de sonambulismo, na maioria dos casos se constitui em rotinas de baixa complexidade, os especialistas alertam para o fato de que pode haver a necessidade de bloquear as escadas com um portão.
Os autores que acreditam que a causa do sonambulismo é de natureza espiritual, recomendam como tratamento a prática espiritual regular para aliviar os sintomas.  

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto - Ufac. Consultora Editorial da Revista Brasileira em Promoção da Saúde da Unifor e Revista de Saúde.Com., da UESB.


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