O coração é um órgão muscular oco que se localiza no meio do peito, sob o osso esterno, ligeiramente deslocado para a esquerda. Ele pesa aproximadamente 400 gramas e seu tamanho corresponde a um punho fechado. Apresenta quatro cavidades: duas superiores, denominadas átrios (ou aurÃculas) e duas inferiores, denominadas ventrÃculos.
O coração está constantemente a contrair e a relaxar (esse processo é chamado de sÃstole e diástole), para bombear todo o sangue do nosso corpo. Mas o coração pode apresentar diversas afecções tais como:
1) Enfarte agudo do miocárdio - se caracteriza por um coágulo que obstrui completamente determinada parte do coração, causando uma forte dor no peito;
2) Insuficiência cardÃaca - doença que impede o fluxo e bom-beamento normal do sangue através das válvulas cardÃacas e podem ser assintomática, leve, moderada e grave;
3) Má circulação - os sintomas mais frequentes incluem dores nas pernas que aparecem após longos perÃodos passados em pé, desaparecendo com o repouso;
 4) Arritmias - se caracteriza por batimentos cardÃacos irregulares, lentos (bradicardia) ou rápidos (taquicardia).
ARRITMIAS
Arritmia cardÃaca é o nome genérico de diversas perturbações que alteram a frequência ou o ritmo dos batimentos cardÃacos. Em outras palavras, é um problema na velocidade ou ritmo do batimento cardÃaco. Durante uma arritmia o coração pode bater com ritmo irregular, muito rápido (taquicardia), ou muito devagar (bradicardia).
As arritmias conforme sugere Nascimento (2012) são mais comuns em pessoas com problemas cardÃacos como doença valvular, doença no músculo do coração (miocardiopatia) ou doença nas artérias coronárias (vasos sanguÃneos que levam sangue arterial com oxigênio e nutrientes ao coração).
Muitas arritmias ocorrem em pessoas com corações absolutamente normais. Neste sentido, Martinelli (2012) afirma que pessoas saudáveis, podem ter doenças cardÃacas e arritmias silenciosas, as quais mesmo sendo consideradas ameaçadoras da vida, nem sempre interferem nas atividades do dia a dia.
SINTOMAS
Conforme menciona Fontes (2007) os sinais e sintomas mais comuns das arritmias geralmente são: palpitações cardÃacas (sensação de que o coração pulou uma batida ou está batendo muito forte); batimento cardÃaco lento; batimento cardÃaco irregular; e sensação de pausa entre os batimentos cardÃacos.
Quando a arritmia é mais grave, o paciente pode apresentar confusão mental, fraqueza, hipotensão (pressão baixa), dor no peito (angina), caracterizando uma emergência médica. Também pode apresentar tonteira e dor de cabeça leve, transpiração, falta de ar e dor no peito.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico geralmente é feito através do exame fÃsico do paciente e exames complementares, quais sejam:
a) Eletrocardiograma - é um exame no qual é feito o registro da variação dos potenciais elétricos gerados pela atividade elétrica do coração. Por ser prático, simples e barato é o primeiro a ser realizado;
b) Holter-24 horas - é a realização de um eletrocardiograma durante 24 horas, o qual permite identificar muitas arritmias não visualizadas no eletrocardiograma normal, bem como relacionar a arritmia aos sintomas que o paciente apresenta; e
c) Ecocardiograma - serve para detectar doenças cardÃacas asso-ciadas, funciona como se fosse uma ultra-sonografia do coração;
d) Estudo eletrofisiológico - exame realizado com a inserção de um cateter até chegar ao coração, permitindo a realização do tratamento de vários tipos de arritmia.
TRATAMENTO
Conforme sugere Scanavacca (2012), o tratamento depende do tipo especÃfico de arritmia, ou seja, em alguns casos, o uso de medicação antiarrÃtmica (tratamento paliativo) é suficiente, podendo prevenir a ocorrência de novos episódios arrÃtmicos. Mas, em outros, faz-se necessária a utilização de outras terapias (tratamento definitivo).
Os medicamentos utilizados objetivam amenizar as crises. Quanto ao tratamento definitivo, com-preende as seguintes terapias:
* Desfibrilador - conectado ao coração cirurgicamente, é indicado para casos de taquicardia. Quando o aparelho detecta que o ritmo desanda, ele emite choques para corrigir o erro e evitar uma possÃvel parada cardÃaca.
* Marcapasso - implantado através de cirurgia, o aparelho é indicado aos portadores de bradicardia. O dispositivo consegue assegurar que, o batimento cardÃaco não diminua a ponto de fazer o órgão parar, independente da situação.
* Ablação por radiofreqüência - é uma microcoagulação que segundo o Hospital do Coração (Hcor) é realizada com energia de radiofre-quência aplicada nos focos das arritmias mapeados pelo estudo eletrofisiológico, feito através dos cateteres por veias e artérias, sem a necessidade de abertura do tórax.
Conforme a literatura a ablação por radiofreqüência está indicada para os pacientes com arritmias de alto risco, os que respondem mal ao uso de medicamentos ou os que necessitam de altas doses para controle.
IMPORTANTE
O procedimento cirúrgico só deve ser realizado por um profis-sional treinado e qualificado, e autorizado pelo departamento de arritmias e eletrofisiologia clÃnica da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Vale acrescentar que o procedimento cirúrgico é minimamente invasivo, por isso a recuperação é rápida e simples, uma vez que o paciente é liberado para se movimentar apenas seis horas depois da realização do procedimento e voltar ao trabalho em dois ou três dias.
* Terezinha de Freitas Ferreira é Doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto - Ufac. Consultora Editorial da Revista Brasileira em Promoção da Saúde da UNIFOR e Revista de Saúde.Com., da UESB.

















































