Tenho alguma dificuldade de avaliar exatamente o que é fazer cinquenta anos. Afinal, sabe como é, eu vou completar apenas quarenta e nove anos, daqui a alguns dias.
Ainda assim, a julgar pelo que sinto hoje, devo dizer que ter cinquenta anos é muito bom. Quem me dera aos vinte anos entendesse as coisas como hoje. Provavelmente teria deixado de fazer muita besteira na vida. Afinal, foi-se o tempo em que as pessoas ao completar meio século de vida eram consideradas velhas. Pelo contrário, atualmente, aos cinquenta anos as pessoas normalmente estão em plena maturidade intelectual e emocional. Ou seja, acreditem-me meninos e meninas de hoje: é mesmo muito bom chegar aos cinquenta.
Desculpem-me essa digressão inicial de caráter tão pessoal, caros leitores. Mas para escrever sobre os cinquenta anos do Estado do Acre, foi-me impossÃvel deixar de estabelecer essa relação. Até porque, à s vezes, me parece que a vida das pessoas comuns não é assim tão diferente da vida das cidades, dos estados, das civilizações, etc.
Pois vejamos, a criação do Estado do Acre, em junho de 1962, sob o signo de gêmeos, foi uma grande festa. Semelhante ao nascimento de uma criança muito aguardada. Afinal, não podemos esquecer que havia sido uma longa gestação, durou só 58 anos, ufa!!! E a festa do nascimento fez justiça à espera. Ainda em 1962 o povo acreano, pela primeira vez em toda sua história, pode eleger seu governador, deputados estaduais constituintes - encarregados de elaborar a certidão de nascimento do recém-nascido, sob a forma de constituição - deputados federais e senadores. Uma inédita e grande festa democrática que marcou profundamente a sociedade acreana.
Entretanto, mal havia nascido o Estado do Acre, pouco depois dele completar um ano, talvez em função mesmo de sua inocência, um conjunto de fatores adversos como a eclosão do golpe militar no Brasil deu ocasião à que acabassem novamente com a democracia por aqui também. Assim nosso jovem estado passou toda sua infância e inicio da adolescência submetido à uma crise social que forçou milhares de homens e mulheres que vi-viam nas florestas acreanas a deixar seus lugares e mudar pras cidades. A crise de identidade do jovem Acre foi tão profunda que deu origem a uma nova luta que acabou vitimando homens e mulheres como Wilson Pinheiro, Chico Mendes e tantos outros anônimos dos quais nem sequer lembramos normalmente.
E mesmo a volta da democracia, no inicio dos anos 80, não foi suficiente para minimizar os problemas com que o ainda jovem estado se defrontava. Certamente, as muitas dificuldades que enfrentou nos primeiros anos de sua formação impediram que o Acre encontrasse um caminho seguro para seu desenvolvimento. Assim, não podemos deixar de lamentar que muitos dos acontecimentos dos anos 80 e 90 - tais como, a falência econômica, o desmantelamento da máquina pública e a instalação do crime organizado, entre outros - tenham atrasado tanto o Estado, impedindo-o de chegar à maturidade na época em que poderia.
Tanto assim, que só no finalzinho da década de 90, quando o Estado do Acre já estava com quase quarenta anos de existência, conseguiu reencontrar suas raÃzes florestais, suas identidades culturais e sua capacidade de inovação e assim, finalmente, com a auto-estima restaurada pôde encontrar um caminho seguro por onde crescer e prosperar.
Não se pode negar, portanto, que, mesmo com todas as dificuldades que enfrentou durante boa parte de sua história, com o desenvolvimento de base sustentável alcançado nos últimos quatorze anos, o Estado do Acre torna-se um respeitável cinquentão em muito boa forma, admirado em todo o paÃs e também fora dele e, o que é ainda melhor, com grandes perspectivas de um futuro promissor.
Por isso, hoje o dia é de dar parabéns ao Acre e à toda sua população por este aniversário tão importante e especial!
Marcos Vinicius Neves ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ) é historiador

















































